Artigos, Overclock

Cheapaz Chips e GeForce GT710: Uma competição de overclocking de baixo custo!

Fala pessoal, tudo bom?

Por várias oportunidades diferentes escrevi aqui nessa página sobre overclock em VGA low-end. Aos que acompanham a página já sabem que gosto dessas plaquinhas pois as vejo como “diversão barata” e isso sempre é bem-vindo mas faltava uma competição usando esse tipo de cacareco, vejam bem, faltava pois agora temos a Cheapaz Chips, que é uma competição organizada pela comunidade no HWBOT e que explora essas plaquinhas low-end.

Nessa primeira temporada a VGA escolhida foi a GT710 e nesse post irei descrever a minha participação na competição. 🙂
Cheapazchips-Wallpaper-1920x1080Vamos falar da GT710 escolhida, acabei me decidindo pela placa da ASUS pois por incrível que pareça foi a mais barata que encontrei a venda no Brasil (R$170~R$190). Outra aparente vantagem dessa placa e que mostrarei com mais detalhes é o fato do fabricante ter optado por memórias 933MHz padrão, algo que muito provavelmente deve se traduzir em clocks mais altos e portanto resultados mais competitivos nos benchmarks, já que como bem sabemos, essas plaquinhas low-end geralmente são bastante limitadas pela pouca banda de memória disponível.

A caixa é até que bem ajeitadinha e segue o mesmo padrão usado pela ASUS nas VGAs dessa mesma série o que acabou por me trazer boas lembranças pois parece uma versão miniatura da caixa da fantástica GTX780 DCUII que tive oportunidade fazer o review alguns anos atrás. 🙂

Sobre a placa em si, é a menor VGA que eu já vi na vida! O pcb dessa placa é mais curto que o slot PCI-E 16X e isso foi possível por conta do GK208 estar limitado a PCI-E 8X e a ASUS ter se aproveitado disso para projetar o pcb nos mesmos moldes da placa de referência, ou seja, o mais compacto possível. Outros fabricantes como Galax, MSI e Zotac fizeram GT710 usando o slot 16X todo, entretanto devo destacar que isso não trás vantagem alguma de performance devido a limitação dos 8X ser do GPU.

Como pode-se ver na foto da parte de trás da placa, remover o dissipador original acarreta em violação da garantia já que temos um lacre em um dos parafusos, o que é algo bem chato e que para a tristeza do pessoal do water cooler infelizmente parece ser um procedimento de praxe para alguns fabricantes. Não vem ao caso dar o caminho das pedras aqui mas digo-lhes que com alguma criatividade é perfeitamente possível remover esse parafuso sem zoar o lacre, mantendo assim a garantia da placa intacta no caso de uma simples troca do sistema de refrigeração da placa. Caso isso não seja uma opção, sugiro que procurem por fabricantes que não tem essa política de garantia tosca e que permitam a troca do cooler padrão sem nenhuma implicação negativa.

De acordo com a nomenclatura usada pela nVidia para designar o seus GPUs, o GK208 é o menor die (87mm²) usando a arquitetura Kepler 2.0, possui um TDP de apenas 19W, 1 SMX (192 Shaders), 16 TMU e 8 ROPs. Infelizmente por ser da arquitetura Kepler, esse GPU não apresenta tecnologias como compressão de textura para otimizar o uso da banda de memória, algo que definitivamente viria bem a calhar em um GPU com barramento 64-bits DDR3 @ 800MHz, resultando em apáticos 14.4GB/s.

IMG_0652As memórias empregadas pela ASUS são Nanya “binadas” para rodar 933MHz de fábrica (sufixo -EK, link para o datasheet) e isso é algo muito bom pois provavelmente essas memórias devem ter uma margem maior para OC que os chips 800MHz utilizados por outros fabricantes. Evidentemente que como estamos falando de overclock nada é garantido, mas devemos considerar que estou trabalhando com um número limitado de amostras (duas placas) e sendo assim é bastante lógico partir para o produto que “estatisticamente” tem a maior chance de apresentar os resultados esperados. 😉 IMG_0644Tanto o VRM do GPU/RAM são de uma fase, o que é meio que o padrão para essas plaquinhas de TDP baixo. Na real, o que manda são os componentes adotados e nesse ponto a ASUS felizmente não economizou e tratou de usar exatamente os mesmos mosfets (UBIQ M3054 e M3056, infelizmente não achei os datasheets), indutor e capacitores utilizados em placas como a GTX970 e RX470, o que torna dispensável o uso de circuitos de alimentação externos tais como o eVGA ePower ou o nosso homemade da IBM.

O controlador PWM adotado é o uP1541R, no qual pode-se encontrar alguns detalhes tais como pin-out nesse link.

IMG_0647

Abaixo fiz um esquemático dos VMODs para essa GT710, agradecimentos especiais ao Newlife, que compartilhou o vmod para as memórias no fórum do HWBOT. Os vmods são de facil execução (FB to GND) e não oferecem maiores desafios, isso partindo do pressuposto que a pessoa tenha algum treino ou destreza com o ferro de solda. 🙂

vmodAbaixo uma galeria da placa nº2 pronta para rodar benchmarks:

Um detalhe que não poderia deixar passar em branco é com relação ao padrão da furação do dissipador, que é um tanto diferente daquilo que estamos acostumados a ver nas VGAs por ai… Essas GT710 com pcb “super curto” usa uma furação em padrão retangular com distâncias maiores (algo como ~70mm x ~48mm) que aquelas usadas nas GTX460/560, o que implica na inexistência de um bracket adequado para usar o TEK-9 com essa placa. Sendo assim, vislumbro duas soluções possíveis:

  1. Fabricar um bracket compatível.
  2. Desenvolvimento de uma avançada solução técnica orientada a condições financeiras precárias para resolver o problema, no popular, a boa e velha gambiarra! 😀

A princípio a idéia era resolver isso usando a primeira solução e inclusive cheguei a projetar o bracket da imagem abaixo, só que por uma questão de custos acabei deixando isso de lado… Caso alguém venha a se interessar pelo bracket, eis o link para baixar o arquivo .skp (SketchUp), tenha em mente que não fabriquei esse bracket e que obviamente trata-se de algo não testado.

gt710_bracket_r2Sendo assim, tratei de implementar a solução nº2 com o que tinha disponível por aqui e bom, acho que nesse caso imagens valem mais do que palavras:

Grampo C, “Sargento” ou seja lá como chamam essa maravilhosa ferramenta em sua região, mas o que posso garantir é que funcionou perfeitamente e que mesmo que tivesse que comprar um monstrinho desses ainda sim sairia mais barato que fabricar o bracket. 😉

Configurações utilizadas e resultados:

CPU: Intel i7 4770K

MOBO: ASUS Maximus VI Impact

RAM: 2x2GB G.Skill PI 2200CL7

VGA: ASUS GeForce GT710 1GB

PSU: Antec Quattro 1200W

Bancada GIGABYTE

Para resultados no ar: Prolimatech Megahalems Black + Swiftech Helix no CPU e Dissipador stock + fan Akasa 80mm na VGA

Para resultados no DICE: SF3D Inflection Point + K|ngp|n TEK-9 FAT

Como disse anteriormente, testei duas amostras diferentes mas isso não foi assim de caso pensado e sim porque a placa #1 morreu de forma silenciosa após a primeira sessão no DICE e isso acabou me forçando a ir atrás de uma segunda placa, então esses resultados no ar e da primeira sessão de OC Extremo foram obtidos com a placa #1 com vmod apenas no GPU pois o mod da memória ainda não havia sido compartilhado.

Então vamos aos testes no ar!

IMG_0657O GPU #1 tinha ASIC de 62% e pelo que testei rapidamente no 3dmark11 o clock do GPU escalou mais ou menos como o descrito abaixo:

1350 1.175V

1400 1.25V (provavelmente deve ir com menos)

1450 1.35V

1500 1.4V+ (da artefato de monte, mas rodou)

As memórias dessa placa ficaram na faixa dos 1125~1150MHz dependendo do benchmark, o que não é nada mal se considerarmos que estava rodando com tensão padrão nas memórias.

Para essa primeira temporada da Cheapaz Chips os benchmarks escolhidos foram o 3DMark01, Catzilla 576p e GPUPI e se me perguntarem o que achei disto, diria que foram boas escolhas por conta de suas características bem distintas, explico:

Enquanto que com o GPUPI 1B pouco importa o clock da memória da VGA e do CPU (nesse caso) pois o negócio ai é simplesmente lutar pelo clock mais alto possível no GPU, o Catzilla é um benchmark bem mais “generalista” que depende de algumas coisas tais como rodar com o driver de som instalado, ramdisk e tweaks como LOD. Por fim, o 3dmark01 é um benchmark clássico e um dos meus favoritos pois depende de uma infinidade de tweaks (até a ordem que se roda os GTs influencia, mais informações nesse tópico) para se obter um bom resultado.

Abaixo os resultados obtidos com refrigeração a ar:

3DMark01: http://hwbot.org/submission/3281352

Catzilla 576p: http://hwbot.org/submission/3280669

GPUPI 1B: http://hwbot.org/submission/3279102

É evidente que não iria conseguir ir muito longe apenas com refrigeração a ar então tratei de “enjambrar” o TEK-9 na placa e partiu gelo seco! Isolei a placa com duas demãos de esmalte de unha, o que foi o suficiente para proteger a placa da condensação e garantir o funcionamento dessa VGA durante as pouco mais de 3h seguidas rodando @ -65ºC.

Um receio que tinha era com relação a problemas com cb/cbb, afinal de contas alguns competidores usando placas da MSI estavam relatando problemas na faixa dos -50ºC mas felizmente a GT710 da ASUS não apresentou nenhuma anomalia de funcionamento por causa do frio, pelo contrário, acabei ganhando até uns precisos MHz a mais nas memórias. 🙂

Para os resultados abaixo, foi usado refrigeração a ar no CPU (foi um erro, deveria ter ido pro “all in” logo de cara e congelado o CPU também) com o VGPU entre 1.75V~1.8V.

Resultados:

3DMark01: http://hwbot.org/submission/3286297_

Catzilla 576p: http://hwbot.org/submission/3286296_

GPUPI 1B: http://hwbot.org/submission/3286298_

Após uma sessão de OC Extremo a boa prudência nos ensina que devemos dar clearcmos na mobo e maximizar os VRs nos vmods, tudo isso para se evitar prejuízos, mas quando algo é para acontecer, saibam que acontece mesmo! Após desmontar a placa com todo o cuidado, secar e montar o dissipador original, ela nunca mais deu vídeo… RIP GT710, primeira placa apitou na curva. 😦

Não poderia desistir da competição nesse ponto, simplesmente estava motivado demais para isso e então veio a GT710 #2, do mesmo modelo da primeira. O ASIC do GPU dessa segunda placa era de 62.1%.

Agora era hora da segunda e (infelizmente) ultima sessão de benchmarks que faria para essa competição, novamente consegui o melhor dessa placa com cerca de 1.75V no GPU e como o mod das memórias ainda não tinha sido compartilhado, foi com tensão padrão de novo.

Essa segunda placa foi um tanto melhor que a primeira placa tanto no GPU quanto nas memórias! Com relação ao CPU, antes que alguém resolva zoar, esse foi o pior i7 4770K que eu já tive oportunidade de usar em toda minha vida… Ô troço ruim que é a falta de sorte com certos CPUs! 😛

3DMark01: http://hwbot.org/submission/3291578_noms_3dmark2001_se_geforce_gt_710_(gk208)_62614_marks

Catzilla 576p: http://hwbot.org/submission/3291593_noms_catzilla___576p_geforce_gt_710_(gk208)_3973_marks

GPUPI 1B: http://hwbot.org/submission/3291596_noms_gpupi___1b_geforce_gt_710_(gk208)_5min_56sec_741ms

Ao contrário da placa #1, a segunda sobreviveu a sessão de overclock e o Newlife tinha acabado de compartilhar o mod para as memórias… So far so good, fiz o mod e com isso consegui completar o Catzilla com as memórias @ 1250 no ar!

Até ai estava muito confiante de que poderia terminar essa competição no Top-5 e logo iria congelar tudo novamente e assim o fiz, só que quando algo não é pra ser, realmente não o é! Sabem o que aconteceu? Essa sessão foi um fracasso retumbante! Digo, começou tudo muito bem e consegui passar a primeira parte do Catzilla com a placa rodando @ 1860/1260 sem o menor sinal de artefatos na tela, ou seja, teria margem para subir mais não fosse um travamento no Physics Test e um CPU morto para acabar com a brincadeira e como se não bastasse isso, resolvi desmontar tudo e colocar o G3258 para tentar salvar alguma coisa dessa sessão e acabei descobrindo que a VGA não dava mais vídeo, é amigos, GAME OVER. 😦leaderboard

Como podem ver, no final terminei a competição em 7º lugar e que apesar das muitas baixas e recursos limitados, digo que foi uma ótima competição! Enquanto consegui lutar, lutei, e por isso digo que valeu a pena. Encerro aqui esse post e que venha a segunda temporada! 🙂

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