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Ryzen 5 1600X e ASRock X370 Taichi – Primeiras impressões e overclocking

Fala galera, tudo jóia?

Para aqueles que acompanham o mercado de CPUs não é novidade que a AMD estava a tempos “patinando” com os CPUs baseados na arquitetura Bulldozer, que nunca foram realmente competitivos com os Intel na questão de performance per clock, eficiência energética (apesar do Excavator não fazer feio nesse quesito) e na falta de uma plataforma “entusiasta” competitiva, mantiveram o velho socket AM3+ no mercado desde 2011 sem maiores upgrades e com os já cansados FX Vishera sendo vendidos a preço de banana.

Mas agora isso é página virada e depois de tantos anos de domínio total da Intel, como que em um “revival” do início dos anos 2000, finalmente temos outro competidor de alto nível no mercado de CPUs x86. Seja bem-vindo Ryzen! 🙂

Esse é o primeiro artigo de uma série em que será abordado tudo sobre overclock no Ryzen e como a plataforma deve ficar em minhas mãos por tempo indeterminado (desde já, muito obrigado AMD Brasil), o plano é fazer um “teste de longa duração” mostrando a evolução da plataforma com o tempo tal como testes com diferentes kits de memória, CPUs e sistemas de refrigeração alternativos (leia-se LN2), sendo que nessa primeira oportunidade irei fazer uma breve apresentação do hardware, abordar algumas questões pertinentes a overclock no ar, condições de uso diário e compartilhar os primeiros resultados que obtive usando esse tipo de refrigeração.

Com o intuito de facilitar o acesso a esses posts, coloquei um link de nome bem sugestivo logo na barra de navegação superior que aponta para todos artigos relacionados a esse CPU publicados aqui na página. 🙂

Feita essa breve introdução, vamos ao que interessa! O CPU que tenho em mãos é o Ryzen 5 1600X, que é um hexa-core com SMT, portanto 6C/12T, que originalmente roda @ 3.6GHz base / 4.0GHz turbo com TDP de 95W, usa memórias DDR4 e seu MSRP é de $259, sim, esse CPU custa praticamente o mesmo que um i5 7600K!!!

Falando do resto da linha de CPU’s Ryzen, existem ainda os Ryzen 7, que são os octa-cores com preços variando entre $500 e $329, o Ryzen 5 que são dois hexa-core e dois quad-core e a linha Ryzen 3 que deve ser lançada no segundo semestre desse ano. Todos esses CPUs tem multiplicador destravado, são baseados no mesmo die Zeppelin rev.B1 cuja foto ilustra o início desse artigo e que possui 8 cores divididos entre 2 CCX (Core Complex).

Também para quem tem interesse em se aprofundar nos detalhes da arquitetura Zen e procura informações mais detalhadas sobre esses processadores, recomendo a leitura do artigo do The Stilt e o review do Anandtech, ambos textos de excelente qualidade e exceções nesses tempos em que a superficialidade reina absoluta. 🙂

Como não poderia deixar de falar sobre isso, com relação a capacidade de overclock desses CPUs utilizando refrigeração ambiente (ar/água) e respeitando a recomendação da AMD com relação ao vcore (máximo de 1.475V), pode-se tomar 4000MHz +/- 100MHz como sendo o limite viável para uso diário nesses CPUs. Para ilustrar isso temos o gráfico abaixo (créditos The Stilt), que diz respeito a tensão mínima necessária para operação em uma dada frequência utilizando refrigeração ambiente em uma amostra “regular”, vejam que existem dois pontos críticos, primeiro nos 3300MHz, depois aos 3500MHz e como a tendência da linha torna-se exponencial próximo dos 4GHz.

Frequência em função do vcore, créditos do gráfico: The Stilt.

Ainda tomando esse gráfico como base, um CPU “gold” pode ser estimado como um deslocamento a curva em 100MHz a direita e um abaixo da média com 100MHz a esquerda, isso desprezando outros itens importantes tais como a qualidade do controlador de memória (alguns exemplares são incapazes de rodarem a memória @ 3200MHz), capacidade de operar com bclk elevado e etc…

Já em termos de overclock extremo, o Ryzen não apresenta propriamente coldbug mas o seu controlador de memória apresenta um comportamento um pouco estranho com frio e normalmente perde-se uns MHz nas memórias com temperaturas negativas, entretanto, os cores escalam com temperaturas @ -190ºC (full pot), tensões de até 2V e tem atingido clocks entre os 5200~5500MHz nessas condições.

Sobre a plataforma, é claro que para um CPU novo e completamente diferente do que existia anteriormente é necessário uma infraestrutura nova e que no caso do Ryzen, é a plataforma AM4 cujo socket possui 1331 pinos e segue padrão PGA como é de praxe nos processadores AMD destinados a “uso civil”. Uma boa notícia é que não existe mais divisão entre os sockets destinados as APUs (FMx) e para CPUs, agora todos serão AM4! 🙂

E já que estamos falando de plataforma, não poderia deixar de falar da placa-mãe que tenho em mãos, a belíssima AsRock X370 Taichi e que se trata de um modelo high-end que custa cerca de $200 na gringolândia mais próxima de você (no BR? Algo em torno de R$1300).

Em termos de qualidade de construção, trata-se de uma placa impecável que usa um VRM de 12+4 fases (6+2 devidamente dobradas) com mosfets Texas Instruments, indutores de 60A e capacitores japoneses. Falando de recursos, temos adaptador Wi-Fi onboard e LAN Intel onboard, suporte a SLI, dispositivos NVMe, 10 portas SATA 6Gbps e os famigerados leds RGB que são a moda do momento.

Essa também é uma das quatro placas que permitem alterar o bclk na plataforma AM4 e isso é algo especialmente importante para quem pretende ir mais a fundo no overclocking ou competir nos rankings do HWBOT pois esse ajuste permite atingir clocks acima dos 3200MHz nas memórias e os Ryzen apresentam ganhos consideráveis com OC na RAM, até mesmo em benchmarks que tipicamente não escalam com isso, como por exemplo os Cinebench R11.5 e R15.

Uma observação que não poderia deixar passar é que quem pretende montar uma máquina AM4 precisa se atentar na hora de escolher o cooler, não porque o Ryzen é um CPU quente (e ele não é), mas sim porque nem todos SKUs acompanham cooler e para piorar a furação do socket AM4 é diferente da AM3+, o que pode acabar acarretando em alguns dissabores na hora de montar a máquina. Vejam abaixo a diferença entre os dois backplates (preto AM4, branco AM3+) e também uma pequena tabela referente aos coolers que acompanham cada SKU:

A boa notícia é que as medidas dos suportes continuam iguais, o que implica que os cooler box antigos e mesmo modelos aftermarket que usem o sistema de fixação por presilha são compatíveis com a plataforma nova devendo apenas se atentar a detalhes tais como altura do dissipador das memórias e afins. 🙂

Feitas as (breves) apresentações, vamos aos resultados! Segue a configuração utilizada nos testes:

CPU: AMD Ryzen 5 1600X

MOBO: ASRock X370 Taichi

RAM: 2x4GB HyperX Savage 2800CL14 (Hynix AFR, single sided)

VGA: GeForce GT210 (A imponente VGA da foto acima é apenas um “dummy”)

PSU: Antec Quattro 1200W

Bancada GIGABYTE

SO e drivers utilizados: Windows 7 x64 SP1 atualizado.

Para resultados no ar: Prolimatech Megahalems Black + 2x fans altamente estúpidos com mais de 110cfm. 🙂

Devo começar fazendo uma observação com relação ao dissipador… O Megahalems não é compatível com a furação do socket AM4 e como no momento em que realizei esses testes ele era o que eu dispunha de melhor, foi necessário apelar para a boa e velha gambiarra para conseguir usar esse monstrinho. Vejam essa foto:

Aparentemente trata-se apenas de uma presilha de cooler box de AMD como qualquer outra mas reparem que a parte central está um pouco gasta… Pois é, devido a diferença de altura da base do cooler box e do Prolimatech, a presilha acabava dobrando quando instalada nesse ultimo mas bastou dar uma limada para tirar o excesso de material e ficou perfeito!

Claro que vale lembrar que isso é uma gambiarra que vai ser utilizada apenas na horizontal, portanto, não recomendo, não garanto e não me responsabilizo por danos causados pelo uso indevido de tal idéia. 😉

Sobre os resultados, o clock máximo possível varia muito entre os benchmarks sendo que o GPUPI 1B foi de longe o que rodou com clock mais elevado no CPU (4150MHz) e o Cinebench R15 o mais baixo (4070MHz). Já com relação ao bclk, o máximo que consegui via bios (versão P2.00, hoje já estamos na P2.30) foram 117MHz, usando o A-Tuning consegui chegar até esses 124MHz dos benchmarks.

Com relação as memórias, pretendo escrever algo exclusivamente sobre esse assunto visto que o mesmo é um tanto quanto complexo e deve mudar muita coisa em breve, assim que mais fabricantes além da GIGABYTE liberarem updates de bios com o AGESA 1.0.0.5 (uCode fornecido pela AMD), disponibilizando o acesso aos subtimings. No momento, apenas cinco timings básicos estão liberados e isso vem causando uma série de problemas de compatibilidade com memórias na plataforma AM4, sendo que até agora, apenas as memórias com chips Samsung B-Die single-sided são as únicas realmente garantidas para operação @ 3200 com estabilidade.

Sobre o kit HyperX Savage 2800CL14 que usei, esses módulos são equipados com chips Hynix AFR e na plataforma 1151 (6700K + ROG Z170 Gene) foram capazes de rodar @ 3733 12-18-18-28 1T 1.9V+, enquanto que no Ryzen (bios P2.30, AGESA 1.0.0.4a) após algumas tentativas e um vídeo do Robert Hallock explicando muitas coisas sobre OC nesses CPUs consegui bootar @ 3200 com vdimm maior que 1.55V, independente dos timings primários, o que claramente sugere que algum subtiming está limitando a brincadeira!

E por fim, os resultados obtidos e os respectivos links para o HWBOT:

Cinebench R15: http://hwbot.org/submission/3535235_noms_cinebench___r15_ryzen_5_1600x_1382_cb

Geekbench 3: http://hwbot.org/submission/3533918_noms_geekbench3___multi_core_ryzen_5_1600x_26105_points

GPUPI 1B: http://hwbot.org/submission/3533912_noms_gpupi_for_cpu___1b_ryzen_5_1600x_3min_45sec_895ms

Gostaria de encerrar esse tópico com duas coisas:

Primeiro, WELCOME BACK AMD!!! 😀

E segundo, uma galeria de fotos do que está por vir:

E por hoje é só, até a próxima! 🙂

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4 thoughts on “Ryzen 5 1600X e ASRock X370 Taichi – Primeiras impressões e overclocking”

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